Ainda

Ainda que muito tentem, e no final eu falhe, não deixarei de lutar. Ainda que eu pareça preso, sou livre em mim e nos sonhos. Não quero pertencer, não, não quero. Quero ser sempre eu… Quero ser sempre puro, livre…eu. Ainda que me gritem forte, os meus ouvidos já não obedecem. Ainda me eu vacile, não vacilarei cá dentro. Dentro …

Árvores que falam

As árvores que falam escrevem cartas de amor no vento. Dançam a melodia dos pássaros Que cócegas fazem por entre os seus ramos. (Como se deixam lavar pela chuva que espreita pela cálida festa, Que se faz ouvir na floresta.) Esfregam ronronares vazios que se acolhem num desfolhar mágico De receita feita pelos mais vitrovianos paladares.  

Gigantes das obras ociosas

Os gigantes das obras ociosas São como torres que tombam. Se assopradas no ângulo certo. Engolem o orgulho e seguem envenenadas. São como lombrigas num chão acetinado. Sobram as sombras das urtigas queimadas. Que num passado inverno reluziam condenadas. Assemelham-se a um distante caixão, que no seu entalhe corpóreo se finalizam em terra.

lontrinha

Quando escrevo dou à personagem o corpo de uma mulher, ou, transformo uma mulher numa personagem? A vida é a cronologia, é o somatório de várias cronologias numa só, ou melhor dizendo, fundir as datas e transformà-las em vida dando-lhes coerência numa existência. Quando escrevo não é raro existir uma multidão de personagens no meu quarto, embora eu só revele …

O meu nome é Touro

Vivi em tempos nas frescas montanhas acariciando no interior da minha boca o Sol capturado pelo verde que nelas vive. Vivo agora no mundo dos Homens (que engoliu o meu). Onde o mesmo há muito se esqueceu (que vive no meu). Dizem que o dia para o qual nasci chegou. Mas as línguas dos Homens são bandarilhas que cravejam a …

BIOS

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Reflexions

Pingos de luz os agarras tu , com eles meus olhos os serpenteias e penteias, misturas-te tu nas tuas frias lavadas lágrimas com que me dás a beber as minhas tão tuas lembranças. Por cima da tela de teu passado cresce germinante a vida que te corta e que te pouco importa, aquela que tu simplesmente embalas e que teu …

Separação

“De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de …

Sexo

“Efémero, carnal, deleitoso, É assim que me deixas louco! Tu! Será amor? Será paixão? Não! És tu, com teu corpo de sereia! Corpo ardente, louco de desejo, Desesperado pelo toque suave, Da paixão? Do amor? Não! Toca, sente, delicia-te! Não dura para sempre, não… É efémero… Instinto animal, inato, Impossível de esconder, disfarçar, Sempre querendo sair, expandir! Vem, sacia o …

Musica – 1995 – Coimbra

“A música doce, encanta-me, Música calma, entristece-me. Mágoas passadas, doridas… Escondo-me por entre letras… Nada mais me resta, Senão este torpor invisível Debatendo-se no meu corpo, Procurando a tua alma… Encontrarei? Não sei… Mas prometo-te algo: Não mais te procuro. Encontra-me se queres. Se me chamavas, não ouvi. Mas senti! Onde estás? Diz-me! Sofro, preciso… Encontra-me e abraça-me… Só isso …