cantos

Escondo a escrita pelos cantos da casa derrapam sólidos mistérios pelos fornos quentes que brilham corto cantos em redor

Árvores que falam

As árvores que falam escrevem cartas de amor no vento. Dançam a melodia dos pássaros Que cócegas fazem por entre os seus ramos. (Como se deixam lavar pela chuva que espreita pela cálida festa, Que se faz ouvir na floresta.) Esfregam ronronares vazios que se acolhem num desfolhar mágico De receita feita pelos mais vitrovianos paladares.  

Gigantes das obras ociosas

Os gigantes das obras ociosas São como torres que tombam. Se assopradas no ângulo certo. Engolem o orgulho e seguem envenenadas. São como lombrigas num chão acetinado. Sobram as sombras das urtigas queimadas. Que num passado inverno reluziam condenadas. Assemelham-se a um distante caixão, que no seu entalhe corpóreo se finalizam em terra.

Chuva de Quinta-Feira

Abro minha janela, pego em minha sacola, saio em beijo sujo raspado no breve rosto de minha mãe, respiro um breve olhar e saio sem ver. Ao fundo das escadas parava o velho casmurro de sempre. – Uma senha por… favor – Já desviava o olhar. – Quanto é ? Por baixo jorrava a água da chuva que batia em …

Comporto os sabores de sal

Se te tentares lembrar, o ar de hoje cheira aquele que em tempos engolimos, aquela saliva entrelaçada que procurava filtrar o ar que suspiravas. O mar nesse dia fez-se lamber pelo ar em salpicos envolvidos em tacteantes nocturnas sombras,

Acreditas

Acreditas nos sonhos? Vejo a tua imagem! Repouso em ti a fronte Não sei Mas sei que no repousar sobre o teu peito sem fechar os olhos No lançar dum olhar para cima vejo o rosto de um anjo!?!?! Da mulher que amo ?! Acreditas naquele que em ti repousa??? Poderás manter a tranquilidade ? Não o creio, mas sei… …

Canção de Embalar ( Ao som de Lullaby – The Cure )

Caio em minha jangada de sono despejo minhas verdades e adio minhas vontades. Sob um céu de estrelas me apanho, semeando saberes debaixo de um soporífero olhar, esperando ser devorado por um milhar de tacteantes joões pestana. O fino vento embala o entrelaçar do meu olhar, soltando sotaques de gentes em meu redor murmurados. No meu sonho te procuro saboreando …

Fotografias de ti ( Ao som de Pictures of You – The Cure )

Passando pelo passado te vejo, em embaraçado desejo. Como te vejo vivamente mais viva do que me recordaria agora. Despejo em meus olhos, a tua imagem, lavando a minha recordação eterna, como agora se aparenta brilhando ao relento de um ar temperado.

Desperdício

De desperdício me faço em embaraçado traço, tomando por intempéries o teu temperado espaço.

memória nunca usada

Chovem chuvas de saudades das palavras mudas, arrastam nuvens que ofuscam a memória nunca usada para a lembrança do murmúrio do teu acordar.