lontrinha

Quando escrevo dou à personagem o corpo de uma mulher, ou, transformo uma mulher numa personagem?

A vida é a cronologia, é o somatório de várias cronologias numa só, ou melhor dizendo, fundir as datas e transformà-las em vida dando-lhes coerência numa existência.

Quando escrevo não é raro existir uma multidão de personagens no meu quarto, embora eu só revele duas…

Mas tenho, quero e preciso de continuar a escrever pois se parar a multidão vai embora da minha casa da minha alma, do meu coração e da minha vida… e eu só de mim, e do mundo, fico e e ficarei louco por isso e para o evitar escrevo…

Quando escrevo para além de me sentir vivo, às vezes vou peneirando as cinzas da minha vida.

Mas escrever para ti deixa-me como um bébé amamentado…

O meu sonho e plagiando alguém é que quando voltar a reencarnar a minha vida se desenrole ao contrário, começando já velho num lar e ir rejuvenescendo até ter idade para ir trabalhar, e receber logo à partida o jantar de despedida e quarenta anos depois ir para a faculdade e de bebedeira em bebedeira, de orgia em orgia entrar no secundário ainda meio tonto onde de atitudes inconsequentes em atitudes mimadas chego ao ciclo e deparo-me com o primeiro tesão… a primária será feita com um sorriso nos lábios, de terna felicidade, até adormecer reconfortado no ventre da minha mãe…

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